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Produção #V801 - Episódio 01
 


ESCRITO POR
Susanne Beck


DIRIGIDO POR
Denise Byrd


PRODUZIDO POR
C
arol Stephens

IMAGENS DAS CENAS
Judi Mair


TRABALHO ARTÍSTICO
Lucia


GRÁFICO DO TÍTULO DO EPISÓDIO
MaryD

TRADUZIDO DO INGLÊS POR
C
hris Burle


 

PRÓLOGO

 

FADE IN:

 

CENA EXT. COLINA - MEIO DA MANHÃ

 

XENA e GABRIELLE estão caminhando por uma longa e cansativa colina. Argo caminha lenta e penosamente atrás delas, parecendo mais uma mula de carga do que um cavalo de guerra. Elas estão todas cobertas de lama. Há lama nas roupas, na pele, nos cabelos. Até mesmo o pêlo de Argo está pintado com manchas gigantes de lama.

 

GABRIELLE

(em voz baixa)

O que eu não daria por um belo
de um banho quente agora.

 

XENA

Você já vem dizendo
isso por uma hora.

 

 

GABRIELLE

E eu vou continuar dizendo até que
alguém faça isso acontecer por encanto.

(pausa)

Qual é, Xena. Olhe para nós.
Nós parecemos um par de corpos
enlameados rejeitados do Palácio
dos Prazeres de Afrodite!

 

Elas continuam caminhando.

 

Quando elas chegam ao topo da colina, os olhos de Gabrielle se iluminam, e um sorriso se apresenta em seu rosto.

 

GABRIELLE

(continua)

Xena, veja! Minhas preces
foram atendidas!

 

Estendida diante delas está uma pequena, imaculada, e bem-ordenada CIDADE. Todo o tipo de HABITANTES, vestidos em tonalidades de marrom e preto, caminham com imponente precisão de um lado para o outro, concentrados em fazer qualquer que seja a tarefa que tenham à mão. O cenário é quieto, e parece muito pacífico.

 

GABRIELLE

(continua)

Oh, eu posso sentir aquele banho quente agora.

 

Ela começa a andar depressa descendo pela colina, apenas a tempo de ser puxada pela mão de Xena nas costas de seu top, fazendo-a parar. Ela se solta e gira para sua parceira, com os olhos cintilando.

 

GABRIELLE

(continua)

O quê?

 

A expressão de Xena se torna séria.

 

XENA

Há outra cidade a uma hora de caminhada
daqui. Vamos nos concentrar em ir para lá.

 

GABRIELLE

Está brincando comigo??  Xena, eu me recuso
a dar outro passo até que eu esteja limpa.
Eu tenho lama em lugares onde nenhuma
lama nunca deveria estar!

 

 

XENA

Gabrielle, esta cidade... Ela é...
simplesmente... não é a certa para nós.

 

GABRIELLE

Não é a certa?

 

Gabrielle se vira e olha novamente para baixo, para o cenário pacífico.

 

GABRIELLE

O que não é certo nela? Quer dizer...
tudo bem, essas pessoas podiam usar algo
mais na moda, mas por outro lado, ela parece
limpa, e pacífica... E veja! Há uma estalagem!
Aposto que eles têm banheiras do tamanho
daquelas de banho romano lá dentro!

 

Xena suspira.

 

XENA

Você já ouviu falar em Virtua?

 

GABRIELLE

Quem é ela?

 

XENA

Não é quem. É o quê.

 

Xena gesticula indicando a cidade.

 

XENA

(continua)

AQUELA… é Virtua.

 

GABRIELLE

'Tá, então ela tem um nome engraçado...

 

XENA

Gabrielle, eles veneram as Virtudes aqui.

(pausa, meio lamentando)

Literalmente.

 

Os olhos de Gabrielle manifestam sua compreensão.

 

GABRIELLE

Humm.

 

XENA

Pois é. É como aquela cidade onde Tara foi
presa por dançar. Só que aqui, não apenas
você não pode dançar, como também não
pode rir, não pode cantar, não pode...

 

A lista de Xena é cortada assim que dois dedos são pressionados contra seus lábios.

 

GABRIELLE

(secamente)

Acho que já entendi.

(pausa)

Xena, eu só quero um banho. Nós não temos

que ficar aqui. Tenho certeza de que nós duas
conseguiremos ser "virtuosas" por uma hora.

 

Ela olha para si mesma.

 

GABRIELLE

(continua)

Ou duas.

 

Xena continua em silêncio enquanto tenta com esforço disfarçar a vontade de coçar uma lama que cobre seu traseiro. Gabrielle percebe e sorri maliciosamente.

 

GABRIELLE

(continua)

Vamos lá, Xena, eu sei que você quer se
limpar tanto quando eu quero. Se bem que
você vai ter muito mais trabalho do que eu,
pois aposto que embaixo desses couros
você está quente... sarnenta... suada… 

 

Ela dá uma fungada de zombaria para sua parceira, depois se afasta.

 

GABRIELLE

(continua)

…fedida....

 

Xena gira os olhos, depois sorri.

 

 

XENA

Tudo bem. Mas não
mais que uma hora.

 

GABRIELLE

Isso!

 

Enquanto Gabrielle retoma sua corrida para baixo da colina, Xena levanta o braço e funga.

 

XENA

(em voz baixa)

Ou duas.

 

DISSOLVE PARA:

 

CENA EXT. CIDADE - DIA

 

Xena e Gabrielle estão caminhando pela cidade, com Argo de reboque. Elas respondem às encaradas dos habitantes acenando educadamente com a cabeça.

 

GABRIELLE

(suavemente)

Uau. Eu nunca estive em uma
cidade silenciosa assim antes.

 

Ela olha para uma grande família que passa silenciosamente por elas.

 

GABRIELLE

(continua)

Até as crianças são quietas.

 

Enquanto elas continuam a caminhar para mais dentro da cidade, ouve-se a primeira voz humana.  É de um MENDIGO CEGO, vestido em trapos marrons e acotovelado na esquina de uma das construções.

 

MENDIGO

Esmola para o pobre!
Esmola para o pobre!

 

Gabrielle pára, e reflete. Sua compaixão natural solicita que ela ajude o homem, mas sua carteira está deficiente, e ela está em dúvida de quantos dinares irá precisar para pagar o banho. Ela olha para cima, a uma cutucada de Xena. 

 

GABRIELLE

(suave)

O que foi?

 

Em vez de responder, Xena levanta uma sobrancelha, olha para o mendigo, depois olha em volta para a cidade, depois volta a olhar para Gabrielle.

 

A expressão de Gabrielle se ilumina.

 

GABRIELLE

Ah! Entendi. Caridade, certo?

 

 

Xena sorri.

 

Gabrielle alcança sua bolsa e puxa um dinar. Caminhando adiante, ela o coloca em uma tigela feita de madeira crua, aos pés do mendigo.

 

GABRIELLE

(continua)

Aí está, senhor. O suficiente para uma
boa refeição, além de um quarto.

 

MENDIGO

Oh, obrigado, boa mulher!
Você é realmente virtuosa.

 

Sorrindo, Gabrielle se ergue.

 

O mendigo se inclina para a frente e funga.

 

MENDIGO

Você é criadora de porcos?

 

Xena bufa enquanto Gabrielle enrubesce de embaraço e dá um passo para trás. Ela rapidamente se recupera. Agora que ela deu quase metade de seu dinheiro ao mendigo, os pensamentos de um banho vaporizado em uma aconchegante estalagem voam pela notória janela. Ela suspira.

 

GABRIELLE

Você pode me dizer onde
ficam os banhos públicos?

 

MENDIGO

Claro. Subindo direto por este caminho e
virando à esquerda, boa mulher. Os melhores
banhos de Virtua. Você não pode perdê-los.

(pausa)

Mas, claro, você terá que deixar
seus porcos do lado de fora.

 

Xena bufa de novo. Gabrielle atira um olhar para ela.

 

 

GABRIELLE

Eu… certamente farei isso, senhor.
Obrigada por sua gentileza.

 

MENDIGO

Obrigado a você, boa mulher. Possam as
Virtudes abençoarem a você e aos seus.

 

GABRIELLE

E possam elas abençoarem você também.

 

Recolhendo Xena com um olhar, Gabrielle se dirige à direção indicada, apenas a tempo de desviar para a direita quando algo captura seu olhar.

 

É um JARDIM como o qual nem mesmo ela - em suas várias viagens - nunca chegou a ver. Flores de todas as imagináveis nuanças de florescência em uma profusão de cores quase tão longe quanto os olhos conseguem avistar. A entrada para o jardim é protegida por um ARCO ornamentado. AFRESCOS das VIRTUDES decoram o arco, adicionando ainda mais beleza e cor ao lugar. Gabrielle está extasiada.

 

GABRIELLE

(continua)

Pelos deuses, Xena, você já viu
algo mais bonito do que isso?

 

Sem pensar, ela passa por baixo do arco para poder examinar o jardim mais de perto.

 

Antes que possa dar outro passo, ela é repentinamente surpreendida por um grupo de GUARDAS vestidos de preto, carregando longas LANÇAS. Ela é agarrada pelos braços e puxada para trás do arco.

 

Com o rosto furioso, Xena pula na direção deles.

 

XENA

O que está acontecendo aqui?

 

CAPITÃO DA GUARDA

Esta… mulher… foi pega
transpassando o Jardim Sagrado.

 

XENA

E?

 

CAPITÃO DA GUARDA

E isso é um crime da mais alta ordem.
Se ela for considerada culpada, a penalidade

(pausa)

é a morte.

 

 

FADE OUT.
 

FIM DO PRÓLOGO

 

PRIMEIRO ATO

 

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