Guia de Episódios

Prólogo

Primeiro Ato

Segundo Ato

Terceiro Ato

Quarto Ato



 

QUARTO ATO

CÂMERA EM ‘FADE IN’:

 

CENA INTERNA. INFERNO. DIA.

 

Lúcifer está caminhando selvagemente de um lado para o outro na sala do trono. As portas se abrem e dois demônios escoltam Xena para dentro. Ela olha para os guardas e um leve sorriso surge em seus lábios antes de ela rosnar para eles, fazendo-os dar um passo para trás.

 

Lúcifer chama Xena, e ela vai até ele. Ele a pára bem à distância de agarrá-la.

 

LUCIFER

O QUE VOCÊ PENSA . . . .

 

XENA

Poupe-me disso.

Eu estava te ajudando.

 

LUCIFER

Ajudando-me?

Como você poderia me ajudar?

 

XENA

Ajudando suas tropas no Egito.

 

LUCIFER

Minhas tropas.

 

XENA

Você sabe. Dar uma de inocente

nunca combinou muito com você,

então não tente fazer isso agora.

Brakus foi ingênuo.

Então por que você está pregando

uma campanha contra eles?

 

LUCIFER

Eu não acho que isso devia

ser da sua conta.

 

XENA

Isso é da minha conta,

porque, você vê, você

tem um grande problema lá fora.

 

LUCIFER

Sua amiguinha loira?

 

XENA

Esse seria o problema.

 

LUCIFER

Minhas forças irão prevalecer.

 

XENA

Não, não vão.

Os homens mortais que você mandou

não podem sequer batê-la com um bastão.

(orgulhosa)

Eu saberia. Eu ensinei a ela

tudo o que ela sabe.

 

LUCIFER

Uma mulher mortal, mesmo

uma treinada pela ‘grande Xena’

não irá vencer contra um exército inteiro

de homens leais a mim.

 

XENA

Eis uma dica, Lucy. Ela

já está conseguindo.

 

Xena coloca seu braço em volta do pescoço dele e vira-o para andar até a mesa. Ela dá um tapinha em seu peito e guia-o até lá.

 

XENA

Agora vem cá, Lucy.

Você tem que dizer pra Xena

o que há de errado em você

querer a mim para ajudar você.

 

LUCIFER

Eu não me lembro de ter pedido

a sua ajuda.

 

XENA

Não, mas você precisa dela.

Então por que você não me diz

exatamente por que nós vamos

aniquilá-los?

 

LUCIFER

Já ouviu a história do

escorpião e o cisne?

 

XENA

(girando os olhos)

Vocês rapazes só conhecem uma história?

Não é boa o suficiente, então sai dessa.

 

Ele se enfurece e senta em sua cadeira.

 

LUCIFER

Eu não preciso de uma razão.

Eu sou o REI DO INFERNO!

 

XENA

Há sempre uma razão, Lucy.

Eu posso ver isso em seus pequenos olhos de pérola.

E eu não vou dizer a você como derrotá-los

ao menos que você me conte qual é o segredo.

 

LUCIFER

Eles simplesmente precisam ser ensinados que

há um poder maior e mais forte

do que aqueles nos quais eles depositam sua fé.

 

XENA

Ou menor, conforme for.

 

LUCIFER

Conforme for.

 

XENA

O que estraga seu prazer, Lúcifer,

é a minha parceira. Ela irá chutar

seu traseiro daqui até Roma.

 

LUCIFER

(rindo)

Você parece esquecer, Xena, que

eu governo aqui embaixo. E este é um

lugar muito sórdido. Eu pensei em

maneiras de derrotar meus inimigos

que você jamais sonharia em tentar.

(examinando Xena)

Bem talvez você sonharia sim, mas. . .

você não é a única pessoa que sabe

como ganhar guerras, Xena.

 

XENA

Não, mas eu sou a única

que sabe como se livrar

daquele probleminha pra você.

 

Ela olha para o portal privativo dele.

 

XENA

(continua)

Seu inimigo desenvolveu um novo

coração, Lúcifer. Olhe para ela.

Ela está reunindo as tropas e

as pessoas estão se colocando atrás

dela. Ela está lhes dando esperança novamente.

 

LUCIFER

(desgostoso)

Esperança. Você sabe o quanto eu

odeio essa palavrinha nojenta?

 

XENA

Você e eu, companheiro. Mas essa

vai ser sua derrocada, a menos que você

arranque-a pela raiz.

(pausa)

E eu sou a única que

pode fazer isso por você.

 

LUCIFER

Eu não acho. Eu estava vencendo

essa guerra sem você, Xena.

E vou terminá-la sem você.

 

XENA

(encolhendo os ombros, indiferente)

Faça como quiser.

 

LUCIFER

Guardas! Levem-na para longe

da minha vista.

 

Os guardas fizeram o que ele mandou, e Xena saiu de lá com eles, sorrindo secretamente de forma que Lúcifer não pudesse ver.

 

Depois de Xena sair, Lúcifer voltou-se ao portal, erguendo as sobrancelhas enquanto observava Gabrielle trabalhar sua mágica naquelas pessoas antes derrotadas e a um respiro de morrer. Suas garras batiam em alto som, repetitivamente, na mesa, enquanto sua raiva fervia dentro dele.

 

LUCIFER

(para si mesmo)

Eu não vou dizer que você está certa, Xena . . .

mas uma pequena garantia nunca faz mal.

(gritando)

Guardas! Tragam Baltazar até mim.

Eu tenho um servicinho pra ele.

 

CORTA PARA:

 

CENA EXTERNA. CAPITAL. DIA.

 

Gabrielle, Zenobia e Yavin estão de novo no topo do muro da cidade. As fortificações estão de volta no lugar, embora tenha levado a noite toda e a maior parte da manhã para erguê-las, e elas não estão tão fortes quanto estavam antes. Os trabalhadores, em sua maioria soldados egípcios, estão cansados mas resolutos, esperando o próximo comando de Gabrielle. Ela sorri para eles. Eles acenam de volta, orgulhosos de terem sido agraciados com o reconhecimento dela.

 

YAVIN

(olhando para fora)

Grande Ra, nos proteja.

 

Gabrielle se vira rapidamente ao som da voz reverente e misturada com medo de Yavin. Ela arregala os olhos e fita uma longa linha de soldados inimigos que se colocam acima de uma duna de areia. Eles estão impecavelmente vestidos em ARMADURA NEGRA com semelhantes ESCUDOS e ELMOS. A armadura é tão escura que parece absorver a luz brilhante do sol, e lançar a duna inteira em uma cortina sombria.

 

ZENOBIA

Reforços devem ter vindo de noite.

Misericordiosa Ísis, como nós poderemos

nos defender contra isso?

 

Ouvindo algo muito próximo do pânico na voz da Rainha, Gabrielle se estica e segura o pulso de Zenobia.

 

GABRIELLE

Eu sei que parece ruim, mas não

desista da esperança. Eles são apenas

homens, e podem ser derrotados.

(doce, para si mesma)

De alguma forma.

(para Yavin)

Vamos lá pra baixo. Eu acho que me lembro

de ter visto algo, nas caixas de suprimentos

que temos, que pode nos ajudar com isso.

 

Yavin concordou, e ambos se voltaram para sair do muro. Os dois congelaram quando deram de cara com seguinte a visão diante deles:

 

Onde um grupo de cansados mas dispostos soldados estavam antes, agora estava um grande grupo de homens, mulheres e crianças mais velhas, olhando para ela com expressões determinadas. Enquanto ela observava, mais deles se uniam ao grupo, vindo de lugares escondidos, das profundezas da cidade. Para um ser humano, eles estavam sujos e magricelos, mas seus olhos queimavam com um brilho orgulhoso e bravio. Alguns estavam com faixas ensangüentadas em volta de várias feridas. Alguns se apoiavam nos ombros fortes de seus confrades. A maioria estava armada. Alguns com estilingues e pedras, alguns com garfos de lavoura, alguns com arcos e bastões fortes, e alguns com espadas meio quebradas e enferrujadas.

 

GABRIELLE

(sussurrando)

Pelos deuses.

 

HOMEM

Nós sabemos o que você está fazendo

por nós, e por nossa cidade, grande guerreira.

Nós pedimos que nos dê a honra de permanecer

ao seu lado e lutar pelo que é nosso.

 

Gabrielle e Yavin trocaram olhares. Yavin sorriu e assentiu. Gabrielle mordeu o lábio, então se voltou para a multidão que ainda crescia, convocando seu sorriso mais brilhante.

 

GABRIELLE

Eu me sinto honrada.

Eu não. . . .

(sincera)

Muito obrigada.

 

MULTIDÃO

(saudando em voz alta)

Gabrielle! Gabrielle!

Gabrielle!

 

CORTA PARA:

 

CENA INTERNA. ESCONDERIJO SUBTERRÂNEO. DIA.

 

Gabrielle e Yavin se agacham entre vários largos e abertos CAIXOTES DE MADEIRA. Revistando um deles, Gabrielle puxou para fora um jarro grande, pesado e engordurado, segurando-o em ambas as mãos cuidadosamente e fixando os olhos nele, indecisa.

 

GABRIELLE

Quantos arqueiros nós temos?

 

YAVIN

(considerando)

Entre os soldados, talvez cinqüenta.

Talvez outros cinqüenta entre os civis.

 

Gabrielle assentiu, depois ficou em silêncio. Yavin a observou de perto, antes de decidir falar.

 

YAVIN

Você tem um plano?

 

GABRIELLE

(hesitando, depois confirmando)

Os inícios de um, sim.

 

YAVIN

(cuidadosamente)

E isso tem a ver com... o

que você está segurando aí?

 

GABRIELLE

(assentindo)

Fogo Grego. Você pode molhar a ponta das flechas

nele, e então acendê-los. Ele se fixa...

e queima. A água não pode apagá-lo.

 

YAVIN

(sorrindo largamente)

Isso é maravilhoso!

(pausa)

Não é?

 

GABRIELLE

(de olhos fechados, se lembrando)

Eu vi o que o Fogo Grego pode fazer

com as pessoas que ficam em seu caminho.

E eu não tenho certeza de que eu posso deixar

isso acontecer... mesmo a um inimigo.

 

YAVIN

(pensativo)

Nossos arqueiros são alguns dos

melhores do país. Mesmo os civis.

Que tal se nós dermos isso para os

melhores deles, e pedirmos para

mirarem nos escudos dos inimigos?

Talvez nós possamos forçá-los

a voltar atrás.

(pausa)

Nossos outros arqueiros poderiam lançar

flechas comuns quando o inimigo

deixar cair seus escudos em chamas.

 

GABRIELLE

Isso poderia funcionar.

(pausa)

Certo, vamos para a borda do muro lá em cima.

Nós temos uma batalha para vencer.

 

CORTA PARA:

 

CENA EXTERNA. CAPITAL. NOITINHA.

 

Gabrielle observa bastante satisfeita enquanto a preparação para a próxima batalha termina. Ela tira um momento para tomar um gole d’água de um balde, enquanto observa por sobre o topo do muro as tropas inimigas à espera. Yavin está de pé ao lado dela.

 

YAVIN

Por que eles estão esperando?

 

GABRIELLE

Porque eles têm a habilidade de

esperar que nos retiremos. Eles

sabem que nossos recursos são limitados.

Eles estão tentando nos desgastar.

 

YAVIN

Então eles vão ter uma bela surpresa.

 

Gabrielle recoloca a concha no balde.

 

GABRIELLE

Eu espero que sim.

Esse é um elemento que nós

certamente podemos usar agora mesmo.

 

YAVIN

Vai escurecer o suficiente em breve.

 

GABRIELLE

(em voz baixa)

Sim.

(sinceramente)

Yavin, eu quero te agradecer.

Seu suporte tem sido importante.

Eu quero que você saiba que,

se algo acontecer,

você tem a habilidade

para derrotar este homem.

 

YAVIN

Eu sei, Gabrielle.

E NÓS vamos derrotá-lo.

Juntos.

 

Gabrielle concorda e observa enquanto o sol faz sua descida final abaixo do horizonte.

GABRIELLE

Está na hora.

Vamos nos preparar.

 

Yavin sinaliza para os arqueiros para tomarem posição. Enquanto os arqueiros escalam até o topo do muro, Gabrielle e Yavin descem até o pátio. Tropas se reúnem e se preparam para marchar para fora dos muros e lutar em uma batalha corpo a corpo.

 

Cuidadosamente, Gabrielle e Yavin movem as tropas para o portão e esperam que a luta com o fogo comece. Gabrielle toma um fôlego e acena com a cabeça. Yavin dá o sinal e dentro de segundos a primeira flecha é acesa e atirada.

 

Ambos assistem enquanto uma segunda descarga é lançada. Um capitão no muro dá o sinal e os portões são abertos. Gabrielle e Yavin lideram a tropa para fora dos portões. Ela está satisfeita de ver que o plano para forçá-los a abandonar seus escudos funcionou com a maioria deles. Eles estão bem mais indefesos do que ela poderia esperar.

 

Ela sinaliza para as tropas para alinharem-se e espera pela próxima saraivada de flechas regulares.

 

GABRIELLE

Ataquem qualquer um que tentar atravessar,

mas não deixem eles reforçarem suas linhas.

E cuidado com os arqueiros deles.

 

Mais duas saraivadas são atiradas e então a fileira restante se lança rumo à cidade.

 

GABRIELLE

LEVANTEM RÁPIDO!

 

As tropas opositoras se carregam dura e rapidamente contra as tropas de Zenobia. Gabrielle está bem na frente da batalha, liderando as tropas com o seu exemplo. Ela e Yavin estão lutando lado a lado, derrubando homem após homem. Gabrielle se esquiva de um homem, e volta para, batendo, derrubar a espada da mão dele. Ela dá um soco no seu queixo, lançando a cabeça dele para trás. Enquanto ele cai na areia, ela se vira e derruba outro homem com um chute no seu peito.

 

Tirando um momento para recuperar a respiração, ela vê um de seus homens lutando contra três soldados e prestes a ser derrotado. Ela corre até seu homem e se coloca rapidamente entre dois dos atacantes para proteger as costas dele. Ela pode ver que ele está cansado pelo som de sua respiração ofegante.

GABRIELLE

Já te salvei!

Continue!

 

Gabrielle fica ocupada com os dois na frente dela. Enquanto o segundo homem cai, ela percebe que as coisas estão ficando muito quietas. Ela abaixa seus sais e escuta, há um som duro do ar sendo movido e varrido em volta. Ela inspira profundamente quando se lembra exatamente o que causa esse som.

 

GABRIELLE

COBERTURA! PROTEJAM-SE!

CORRAM PARA DENTRO!

 

Ela começa a agrupar suas tropas restantes em direção ao portão. Yavin se junta a ela enquanto eles mesmos param e empurram os homens para frente.

 

YAVIN

O que está havendo?

 

GABRIELLE

Você verdadeiramente

não vai querer saber!

 

O som fica mais alto e, na luz da lua e nos fogos restantes, uma figura sombria com uma imensa envergadura de asas desce do céu. Gabrielle se vira e empunha seus sais. Seus medos são concretizados, mas são suplantados por um alívio quando ela percebe que não é Xena que está vindo até ela.

 

GABRIELLE

YAVIN, PARA DENTRO, AGORA!

 

YAVIN

(desembainhando sua espada)

Eu fico aqui com você, Gabrielle!

 

GABRIELLE

Esta luta é minha!

 

YAVIN

Então é minha também!

 

Gabrielle gira e afasta Yavin para fora, empurrando-o direto no chão, onde ele fica, atordoado, olhando para ela com seus arregalados olhos escuros.

 

GABRIELLE

Eu não tenho tempo para discutir!

 

Ao se virar de costas, a atenção de Gabrielle é tirada do demônio que desce até ela. Quando ele estende suas garras para fazer contato com o corpo dela, uma LUZ BRILHANTE começa a emanar de suas costas, queimando através de suas roupas e correndo para dentro do corpo do demônio. Gabrielle aparenta estar em uma grande dor, mas Yavin está com medo de ir ajudá-la, por temor de ser capturado de alguma forma.

 

O demônio grita em agonia quando a luz o engole. Um longo urro sinistro é ouvido quando o demônio tenta voar, as chamas consumindo-o até que não haja mais nada além de cinzas.

 

Gabrielle desmorona no chão com suas mãos e joelhos, respirando com dificuldade. Yavin olha para baixo e vê a TATUAGEM DE DRAGÃO nas suas costas. Ele respira fundo e se estende para ajudá-la a se levantar.

 

YAVIN

Você está bem?

 

GABRIELLE

Vamos entrar.

Eu não posso suportar

duas dessas em uma só noite.

 

As tropas inimigas se retiraram de medo, enquanto Gabrielle e Yavin corriam para dentro dos muros da cidade e batiam os portões por trás deles. Gabrielle se inclinou sobre o portão, ainda respirando com dificuldade, seus olhos firmemente fechados.

 

YAVIN

Então o que os meus homens viram na noite passada

era verdade. Havia realmente um

demônio liderando as forças

 

GABRIELLE

(assentindo)

Existe algo além do que olhos vêem

acontecendo aqui.

 

YAVIN

Você sabe quem mandou

estes demônios?

 

GABRIELLE

Eu acho que talvez eu saiba.

(pausa)

Mas, por todos os deuses,

eu espero estar errada.

 

CORTA PARA:

 

CENA INTERNA. SALA DO TRONO DE LUCIFER.

 

Assistindo a batalha através de seu portal particular, Lúcifer ficou mais e mais irado. Sua respiração era pesada, e ele rosnava cada vez que seus soldados levavam um golpe das forças opostas.

 

Quando ele assistiu Baltazar, o demônio mais forte de seu reino, queimar em chamas, ele urrou de raiva. Pulando do seu trono, ele começou a destruir a sala e tudo o que havia nela. Isso incluía os dois infelizes guardas que foram desafortunados o suficiente para ficarem parados do lado de dentro da porta.

 

Todo o Inferno balançou com sua justificada ira, e em breve não havia mais nada na sala, além do portal, o qual não se despedaça com poucos golpes.

 

Sua raiva diminuiu um pouco, ele se voltou para o portal e observou. Em uma multidão de alegria, os egípcios saudavam sua salvadora e levantavam-na em seus ombros. Eles a desfilavam pelas ruas arruinadas da cidade.

 

O som de seus caninos se roçando era alto no silencioso aposento.

 

O aviso anterior de Xena veio ao pensamento dele.

 

XENA

(VOZ)

Seu inimigo desenvolveu um novo

coração, Lúcifer. Olhe para ela.

Ela está reunindo as tropas e

as pessoas estão se colocando atrás

dela. Ela está lhes dando esperança novamente.

 

Vai ser sua derrocada,

ao menos que você enterre

isso pela raiz.

 

LUCIFER

Fui Lá, Fiz Aquilo,

Xena. Não funcionou.

 

Uma idéia veio até ele.

 

LUCIFER

(continua)

Ao menos que . . . .

 

Então um sorriso veio ao seu rosto; um sorriso frio e detestável dignificou de graças os lábios do Rei do Inferno.

 

LUCIFER

Ao menos que . . . .

Guardas! Tragam-me Xena!

 

CORTA PARA:

 

CENA INTERNA. SALA DO TRONO DE LUCIFER.

 

Xena passeia pela sala destruída, e sorri largamente enquanto olha em volta.

 

XENA

Adorei o que você fez com este lugar.

 

LUCIFER

(rindo)

Xena! Exatamente o demônio que eu estava

procurando! Venha. Venha cá!

 

XENA

(entendendo)

Siiim?

 

LUCIFER

Eu te ofereceria um assento, mas

como você pode ver . . . .

 

XENA

Hum.

 

LUCIFER

(casualmente)

Eu pensei sobre a conversinha que tivemos

mais cedo, e eu decidi te oferecer um lugar

como minha segunda comandante.

 

Xena ergue uma sobrancelha.

 

LUCIFER

(continua)

É sério! Há grandes vantagens nisso, Xena.

Todos os traseiros que você puder chutar,

todas as almas que você puder torturar.

Finais de semana livres.

 

XENA

Por que a mudança repentina?

Da última vez que nos falamos, você não estava

interessado em uma palavra do que eu dizia.

 

LUCIFER

Vamos dizer que eu tive

uma mudança de... coração.

 

XENA

(sorrindo perversamente)

Vamos.

(pausa)

Qual é a pegadinha?

 

LUCIFER

(fingindo estar chocado)

Pegadinha?!

Xena, você  me ofende!

Não podemos simplesmente dizer que eu

estou retribuindo um favor e é só?

 

XENA

Poderíamos. . . mas não vou.

Qual é, Lúcifer, você é o

Rei do Inferno. Tem sempre

uma pegadinha. Então desembucha.

 

LUCIFER

(abrandando-se)

Bem . . . há uma pegadinha leve. Mas

eu te garanto, é uma que você vai gostar.

 

XENA

Vai em frente.

 

LUCIFER

(murmurando)

Eu quero que você ponha sua

namoradinha loirinha para fora do caminho.

 

XENA

(gargalhando)

Ela deu uma surra no seu exército, não foi?

 

LUCIFER

(rosnando)

 

XENA

(examinando as unhas)

Sinto muito, Lucy, mas não posso fazer.

Minha oferta anterior foi só uma vez, de

pegar ou largar. Então, se você me der

licença, os garotos lá embaixo

conseguiram um novo carregamento de

condenados e eu vou ajudá-los a

planejar a eternidade deles.

 

Abanando as garras de seus dedos para ele, Xena se virou para sair da sala.

 

LUCIFER

ESPERE!

 

Xena pára e se volta.

 

XENA

Sim?

 

LUCIFER

(pensando rapidamente)

Que tal algo para amenizar o acordo?

(sorrindo)

Eu sei! Nós todos sabemos que quando

a loira morrer, ela vai. . .

(apontando pra cima)

enquanto você irá passar a eternidade . . . .

(apontando para baixo)

Mas se alguém, digamos que eu,

dissesse a você a localização exata

da área de espera das almas, um demônio

diligente como você poderia ser capaz

de agarrá-la antes que ‘Ele’ enviasse seus

pequenos anjos atrás dela.

(sorrindo largamente)

Ela estaria presa com você para sempre. Exatamente

como você planejou da última vez que você esteve aqui.

 

XENA

(sorrindo perversamente)

Soa tentador.

 

Lúcifer sorri triunfantemente.

 

XENA

Mas fácil demais. Há algo

que você não está me dizendo.

 

LUCIFER

Xena!

 

XENA

Lucy, Eu acho que conhecemos

suficientemente bem um ao outro

para você já ter percebido que eu não

caio nas coisas assim tão facilmente.

(pausa)

Isso devia ser do seu departamento.

 

LUCIFER

(rosnando)

 

XENA

Você me ofereceu um pacote delicioso,

todo envolvido em um lindo lacinho,

e apresentou ele pra mim em troca

de eu fazer algo que você sabe

que eu já tinha te oferecido?

(girando os olhos)

Por favor. Eu não caí

do bico da cegonha ontem.

 

LUCIFER

Bem . . . .

 

XENA

Eu sabia. Então desembucha ou eu vou embora.

Aqueles caras lá embaixo não vão

esperar muito, e eu realmente já estava

bolando um jogo de ‘chicoteie o infiel’.

 

LUCIFER

Tudo bem, tudo bem. Parece que

sua namoradinha desenvolveu uma

habilidade que você não ensinou a ela.

 

XENA

E que seria?

 

LUCIFER

Você tinha uma habilidade de matar deuses.

Parece que ela agora tem a habilidade de matar demônios.

 

XENA

Não diga.

 

LUCIFER

Oh, eu digo. Eu digo. E de uma

maneira muito desagradável, aliás. Eu não

sabia que ela tinha isso, francamente.

(pausa)

Então, para fazer você chegar perto o suficiente dela

para matá-la, eu... terei que te fazer mortal.

Temporariamente, você entende. Você apenas mata

a loira, volta pra o portal, e

(estalando os dedos)

eu te transformo em demônio de novo. Você lidera

os meus exércitos e a alma dela. Eu tomo o Egito, e

todo mundo fica feliz.

 

XENA

(pensativa)

Eu não, Lucy. Eu fiquei bem

confortável com esta forma no pouco

tempo que eu estou aqui. Como eu

saberia que você não iria me trair

depois que eu fizesse o que você pediu?

 

LUCIFER

(girando os olhos)

Vamos lá, Xena, você deveria me conhecer

melhor que isso. Eu esperei todo esse tempo

para ter você no meu bando. Você realmente acha

que eu simplesmente deixaria você rodopiar para fora

daqui como uma mortal se eu não tivesse todas as

intenções de trazer você de volta para mim?

 

XENA

(considerando)

Você tem razão.

 

LUCIFER

Claro que tenho.

(pausa)

Então, temos um acordo?

 

Muitos momentos se passaram enquanto Xena considerava a oferta de Lúcifer. Então um sorriso perverso, realmente malvado, se curvou em seus lábios e ela concordou.

 

XENA

Eu acho que isso pode ser providenciado.

 

 

CÂMERA EM ‘FADE OUT’:

  

CONTINUA . . . .

DECLARAÇÃO
O Inferno ficou escandalizado durante a produção deste episódio, mas o salão de tatuagem do Egito ficou lotado.

CERTAMENTE UMA AMIGA - PARTE 2