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SEGUNDO ATO FADE IN:
CENA INT. PIRÂMIDE DO EGITO – DE NOITE. Bem dentro da base de uma saqueada PIRÂMIDE DO EGITO, uma incandescente luz branca brilha por um instante. Depois se vai, deixando a tumba novamente em perfeita e antiga escuridão.
Um momento depois, um arfar por fôlego é ouvido, seguido
brevemente depois por um leve gemido. Os sons que se seguem vão em rápida
sucessão:
um quase silencioso tumulto de pés os quais definitivamente não são
humanos; um baixo e estrondoso rugido; um alto e agudo guincho, que
abruptamente é cortado por um brando golpe surdo. XENA (da
escuridão) Eu.
Odeio. Ratos. Xena senta-se e luta contra uma onda de vertigem, como a que ela
costuma ter quando está em um corpo vivo e respirando novamente. XENA (continua) Esse
negócio de voltar da morte está
ficando realmente ultrapassado. De
novo, ela não pode fazer nada, mas ri do sentimento de ter a vida
correndo através de suas veias novamente. É algo que mesmo os poderes de
um demônio não podem igualar, e ela está bem satisfeita. Ela se estica,
satisfazendo-se com o estiramento de músculos fortes e com o estalo surdo
deles deslizando de volta para o lugar. XENA Bem,
Lucy, você manteve sua palavra. Agora vamos ver
o que eu posso fazer para manter a minha. Enquanto ela devagar começa a levantar, ela arrisca um palpite
de que ela está em alguma espécie de cripta. O ar fétido, o frio
cortante, o cheiro amargo de temperos mofados, e a sensação de morte em
volta dela. Sua suspeita é confirmada quando seu pé bate no chão e
encontra o que poderia ser apenas pedaços de quebrados e esfarelados
ossos. Fazendo careta para a dor em suas delicadas solas, ela toma seu
caminho em direção a um muro em um instinto cego, sentindo a presença
do muro um passo antes de encontrá-lo com uma mão estendida.
Cuidadosamente explorando com as pontas dos dedos, logo ela descobre pedaços
de algo duro e inflamável, os quais ela toma consigo e imediatamente começa
a bater um contra o outro. XENA Hora
de lançar uma pequena luz sobre o assunto. A pequena fagulha é suficiente para ela ver uma tocha jogada à sua esquerda, e a próxima batida das pedras acende a tocha, iluminando uma muito grande, muito decorada, e muito lucrativa tumba.
Uma tumba que ela atualmente divide com uma múmia, várias
pilhas de deslocados ossos humanos. Há um exército inteiro de ratos
gordos, com olhos redondos e brilhantes dirigidos a ela, vindos das
sombras onde a luz da tocha não alcança. Expondo os dentes, ela rosna para eles, e ri quando eles guincham
e saem correndo rápido para dentro das sombras. Olhando para baixo, finalmente, para seu corpo extremamente nu,
seu sorriso se alarga ao ver que era definitivamente o seu próprio corpo,
abaixo da última cicatriz. O corpo que ela levou décadas aperfeiçoando
como sua ferramenta básica de destruição. O sorriso se torna uma risada sombria que preenche o silêncio da
tumba, fazendo os ratos se encolherem mais ainda de medo. XENA Devo
admitir, Lucy. Até que para um fétido e
conivente pequeno bastardo, você fez direitinho. Ela olha rapidamente em volta, procurando por alguma espécie de
roupa, mas somente os trapos da múmia sobreviveram à profanação, e ela
se nega a usá-los. Uma arma é a próxima coisa da sua lista, e ela a
encontra sem muita dificuldade. Há, perto da lacrada entrada da tumba, um braço com os ossos
dos dedos do que um dia foi um porteiro dali de dentro. Nessa mão está
enganchada a haste quebrada do que parecia ter sido uma LANÇA em outros
tempos. Mesmo sem a ponta, é uma arma adequada, especialmente nas mãos
de alguém como a Princesa Guerreira. Xena a puxa da mão morta com alguma
dificuldade, dando nela um giro experimental e demonstrando sua satisfação. XENA Desculpe,
companheiro. Eu acho que preciso disso um
pouco mais do que você agora. Com o cabo da lança em mãos, ela retorna através da tumba e
puxa a tocha de seu elaborado suporte de parede. A chama crepita
levemente. Ela levanta sua cabeça e funga o ar, sorrindo à frescura que
ela detecta. XENA (com
um sorriso ávido) Pronto
ou não… aqui vou eu. CORTA
PARA: CENA EXT. PIRÂMIDE DO EGITO - NOITE Perto da parede sul da tumba, três HOMENS EGÍPCIOS estão de pé,
armados com TOCHAS, grosseiras ESPADAS, PICARETAS e SACOS. HOMEM #1 Isto
aqui ainda não foi tocado. HOMEM #2 (sarcasticamente) Não
brinca, seu pateta. O
que te deu a primeira pista? HOMEM #1 (ofendido) Ei! HOMEM #3 Parem
com isso, os dois. Vamos entrar logo, pegar
os espólios, e voltar para o acampamento de
Brakus antes que ele dê pela nossa falta. HOMEM #1 Você
acha que isso vai compensar por não lhe
termos contado sobre a loirinha? HOMEM #2 Se
não compensar, nós daremos a ele seu traseiro em uma
bandeja. Talvez isso o faça feliz. HOMEM #3 (zangando-se) Eu
disse para pararem! Vamos pegar isso e voltar
pra o acampamento. Fazer isso no meio da
noite me dá arrepios. Os três homens começaram a andar novamente, dobrando a esquina
da pirâmide para onde eles sabiam que uma segunda e pequena entrada
estava escondida. Deixando suas ferramentas de lado, eles foram para mais
perto da tumba, somente a tempo de ficarem paralisados ao verem que a
porta lacrada começava a se mover... de dentro. Três queixos caíram, seguidos por três tochas. Quando a porta
se abriu completamente, uma Xena nua passeou casualmente dentro do cálido
ar da noite. XENA (sorrindo) Olá,
garotos. É
uma boa noite para uma ressurreição, não é? Sua voz impulsionou-os a agir, e os três saem correndo como se
demônios de Lúcifer estivessem a seus encalços. A sobrancelha de Xena se ergue. XENA Primeira
vez que isso acontece. Resfolegando, ela pronuncia seu grito de guerra, e pula,
facilmente pousando no chão à frente deles, sorrindo maliciosamente. XENA Foi
algo que eu disse? Os homens congelam, se viram, e começam a correr na direção
oposta, deslizando e escorregando na areia macia abaixo de seus pés. Antes de eles irem muito longe, Xena agarra dois deles por trás,
e joga-os em cima do terceiro. Os três caem em um amontoado desordenado. Andando com passos largos até a pilha humana, ela os encara, mãos
na cintura e um sorriso no rosto. Não era de forma alguma um sorriso
agradável. Era mais como o de um tubarão que contempla seu jantar. O primeiro homem rapidamente arrasta-se sobre os joelhos e começa
a se curvar fervorosamente. HOMEM #3 Ó
Poderosa Ísis, por favor, tenha misericórdia de mim. XENA (movendo
os lábios sem entender) Ísis? Os outros dois homens copiam seu líder e pressionam suas faces
contra a areia. HOMEM #1 Por
favor, Deusa, não nos machuque! Nós não íamos roubar
sua tumba! Sério! Nós
estávamos apenas... ugh! O HOMEM #1 percebe que está comendo areia, graças ao seu
parceiro no crime. HOMEM #2 (rindo
fragilmente) Ele…
ele não quis dizer isso, sua Santidade. Nós
estávamos apenas... (pausa,
pensando) dando uma caminhada, não é, chefe?
HOMEM #3 Sim!
É isso! Estávamos apenas dando uma caminhada. Linda
noite, como você disse, minha Deusa. Mantendo-se
em silêncio, Xena olha por cima deles, ponderando. Finalmente, ela se
pronuncia. XENA Você.
De pé. Todos os três pulam, se levantando. Xena empurra os dois
rejeitados para baixo novamente, sobre seus joelhos, então avalia aquele
que ela escolheu. XENA (resolvendo) Você
vai fazer isso. Tire a roupa. HOMEM #3 Como
é? XENA Você
me ouviu. Dispa-se. Depois de um momento, uma luz começa a clarear o dia e, olhando
de soslaio, o homem retira suas roupas em uma confusão de movimentos. Ele
se endireita e fica de pé orgulhosamente diante dela. Xena lhe dá um breve aceno com a cabeça para fixar seu olhar,
então gira seus olhos. XENA De
volta pra o chão. HOMEM #3 Sim,
minha Deusa! Ele
cai de joelhos, e se inclina para ela, abaixando seu rosto enquanto ela
facilmente o afasta e apanha suas roupas. Dentro de alguns momentos, ela
está vestida com calças escuras, botas, camisa áspera, e colete negro,
e sentindo-se mais satisfeita consigo. XENA Então…
vocês, rapazes, estavam pensando em saquear minha tumba, não é?
HOMEM #1 Sim! HOMEM #2 Não! XENA (balançando
a cabeça) Fiquem
de pé. HOMEM #2 Por
favor, Ísis! Tenha misericórdia de mim! XENA Fiquem.
De pé. Os três homens obedeceram a seu comando, tremendo de terror. Xena lhes deu um olhar penetrante, secretamente adorando a situação
desagradável deles. XENA (continua) Eu
realmente fritaria vocês em pequenos pedaços e
acabaria logo com isso, vocês sabem. Mas eu achei vocês divertidos,
de um modo um tanto degradante e desprezível, então
eis o que eu vou fazer. (gesticulando
perto deles) Primeiro
vocês vão fechar esta porta, e
então cobri-la com areia para que ninguém, e
eu quero dizer ninguém, saiba que ela exista. Entenderam? Os
três assentiram enfaticamente. XENA (continua) Que
bom. Depois vocês vão andar vinte passos para o oeste. Vinte
passos exatamente, e vocês vão começar a cavar. E
vocês vão continuar cavando até que eu volte e diga a
vocês para parar. Entenderam? O
homem #2 assentiu enquanto o homem #1 ergueu a mão. XENA (franzindo
a testa) Quê? HOMEM #1 Hum...
por que você quer que nos cavemos lá, Deusa? XENA (sorrindo
perversamente) Porque
eu mandei. HOMEM #2 Faz
sentido pra mim. HOMEM #1 Mas... Xena
caminha em direção a ele, pressionando a beirada afiada da lança
quebrada contra seu pescoço. XENA Você
preferiria morrer devagar e em uma morte cheia de dor? Eu
posso conseguir isso, se você preferir. HOMEM #1 Cavar
parece bom, Deusa. Cavar
parece realmente bom. XENA Eu
achei mesmo. (pausa) Agora
vão, antes que eu mude de idéia e despache
vocês desta existência simplesmente por diversão. Os
homens pularam como gansos, e começaram a correr até suas ferramentas.
Antes que o homem nu pudesse dar mais do que dois passos, Xena o agarrou
pelo ombro e o girou. XENA Você
não. Você vem comigo. HOMEM #3 On--onde
nós estamos indo, Deusa? XENA Para
a cidade. E você é exatamente o homem que vai me acompanhar até lá. HOMEM #3 Mas…
mas eu estou nu! Xena novamente lhe fita. XENA Relaxe,
companheiro. Ninguém vai perceber. (continua,
ignorando o olhar ofendido dele) MOVA-SE!
Ignorando sua nudez, o homem começa a correr até a cidade
enquanto Xena passeia atrás dele. CORTA
PARA: CENA EXT. CAPITAL. NOITE. Gabrielle está agitada, sem conseguir dormir. Ela caminha pela
noite e respira fundo o frio ar noturno, observando ociosamente enquanto
as pessoas perambulam pela quadra. Alguns estão saindo da vigília,
enquanto outros estão de guarda. Ela sabe que deveria sair e se
certificar de que tudo está quieto como parece, mas no momento tudo o que
ela consegue fazer é caminhar através do complexo. Ela sorri ao ver as áreas que foram agora limpas e organizadas.
Parece que as pessoas estão devagar reconquistando tanto seu desejo de
viver quanto o de lutar. Ela dá um breve suspiro quando percebe isso. GABRIELLE (para
si mesma) Agora
tudo o que eu tenho que fazer é ensinar a
mim mesma o que eu ajudei a ensiná-los. De pé em cima do muro da cidade, Yavin olha para ela, e franze
as sobrancelhas quando vê Gabrielle parar abruptamente. Ela coloca uma mão
na cabeça para esfregar a testa, depois a solta para tocar seu tórax por
um breve instante. Ela se livra do que quer que a tenha silenciado, e
vira-se na direção dele. Ele sorri e a chama para mais perto, satisfeito quando ela se
junta a ele no topo do muro. YAVIN Você
está bem? GABRIELLE (levemente
distraída) Sim,
foi... (pausa) Não
foi nada. (se
iluminando) Também
não consegue dormir? YAVIN Na
verdade eu acho que estou me acostumando a isso. Uma
saraivada de flechas voam até eles, mas pousam rápido e se fixam no chão
fora do muro. GABRIELLE Parece
que nosso oponente tem
insônia também. YAVIN É
o que parece. GABRIELLE Então,
por que você não está dormindo? YAVIN Estou
me mantendo alerta contra os demônios. GABRIELLE (rindo) Desculpe,
Yavin. Acredite em mim quando eu digo a você que
se eles estivessem vindo, você não teria tempo nem de
olhar para eles nem de lutar contra eles. Eu já fiz isso, é
praticamente impossível. YAVIN Mas
você não teve sucesso? GABRIELLE Eu
acho que pode-se dizer que sim. Eu
ainda estou de pé. (pausa) Mas a que custo, eu não tenho certeza.
Um JOVEM HOMEM corre pelas escadas e empurra um frasco na mão de
Gabrielle enquanto retoma o fôlego. HOMEM (ofegando) Gabrielle,
o curandeiro me pediu para trazer isso para
você. Nossa água, ela… Ela tira a rolha do odre e cheira. GABRIELLE Está
podre. HOMEM Sim,
nossos depósitos de água estão ruins. GABRIELLE Ótimo,
era a última coisa da qual precisávamos. (para
Yavin) Há
uma fonte de água fresca perto daqui? YAVIN Os
homens de Brakus cortaram nossas fontes naturais, mas
há valas de irrigação do Nilo que podemos usar. Só
que é uma jornada perigosa, especialmente à noite. GABRIELLE Os
feridos e doentes precisam ter água fresca. nós
podemos ferver esta aqui para lavar as bandagens, mas
não podemos bebê-la. (para
o jovem homem) Pegue
meu cavalo, ponha a sela e me consiga um pacote de
carga para ela com o máximo de odres possíveis. Eu
vou atrás da água. YAVIN Gabrielle,
você não pode fazer isso, é suicídio. GABRIELLE (zombeteiramente) Ó,
homem de pouca fé. YAVIN Eu
vou acompanhar você. Nós
vamos levar dois cavalos extras. GABRIELLE Yavin...
Ele ergue a mão para silenciar seu protesto. YAVIN Eu
vivi nesta área minha vida toda, Gabrielle. Você
está aqui por alguns dias. Diga-me que você
pode encontrar nossos canais de irrigação mais
rápido sem mim do que comigo e eu fico aqui. Se
não, então por favor, vamos fazer isso juntos e
o mais rápido que pudermos. GABRIELLE (concordando) Tudo
bem. Eu
sei quando não devo discutir. YAVIN Que
bom. Fico feliz que tenhamos decidido. Um
MENSAGEIRO traz os cavalos solicitados, e os dois montam e seguem
silenciosamente para fora da cidade. CORTA
PARA: CENA INT. CAPITAL. TÚNEL. Xena está de pé contra um muro de um dos túneis enquanto dois
guardas passam por uma entrada atrás dela. Ela entra na cidade
facilmente, misturando-se quando ela precisa fazê-lo e colocando-se nas
sombras quando ela não precisa. Seu antigo guia está dormindo em algum
lugar ali perto, próximo o suficiente para aparecer se ela solicitar mais
algum de seus serviços. Enquanto permite que dois guardas passem por ela tranqüilamente, ela dá uma cuidadosa olhada em volta. O túnel que ela escolheu é um relativamente abandonado, o que é perfeito para o que ela precisa. Uma vez que os dois homens estão fora do alcance de sua voz, ela se move novamente até lá, os olhos penetrantes avaliando cada canto e cada fenda, contra surpresas inesperadas.
Parando, ela percebe rapidamente um arame escondido no chão,
esticado para alguém tropeçar. Ela se ajoelha e corre seus dedos sobre a
pequena corda e sorri. Então ela se levanta e usa seu pé para puxar a
corda. Ambas as mãos se erguem e agarram duas flechas que a teriam
atingido diretamente no peito se ela não estivesse preparada para suas súbitas
aparições. Levantando as flechas, ela as examina, cheirando e detectando
veneno, então sorri perversamente enquanto as quebra no meio e as joga
despreocupadamente no chão. XENA Nada
mal. Nada mal afinal, Gabrielle. Parece
que eu te ensinei direitinho. Continuando a descer pelo túnel, ela pára novamente enquanto um
grande rato cruza a sua frente. O rato pára e olha para ela, contraindo
os bigodes. XENA Nem
sequer pense nisso. O rato se vira rapidamente e corre na direção oposta. XENA Rato
esperto. Agora
vamos ver que outros presentes
Gabrielle deixou. Ela pára em outra armadilha e a examina cuidadosamente, seus
olhos rastreando a viga cheia de pregos no topo do túnel. XENA Uh,
isso iria deixar marcas. Bom
trabalho. Cuidando
para não disparar a armadilha, ela se move até chegar em um ponto do chão,
e olha para baixo cuidadosamente. Ajoelhando-se, ela puxa a cobertura
escondida, revelando um buraco. A base estava coberta com fragmentos de
metal. Uma sobrancelha se ergue e ela balança a cabeça. XENA Isso
poderia não te matar... (pausa) Mas
você certamente desejaria estar morto. Dando um passo para trás, ela pula para o outro lado do buraco,
deixando a armadilha intacta. Depois ela pára imediatamente, quase
escorregando ao parar, quando ela percebe algo. Ela cheira e olha para
frente. Então ela se move e vê uma armadilha de fogo que estava ativada. XENA Muito
esperta, Gabrielle. Estou
impressionada. Continuando em frente, ela caminha até encontrar uma interseção
maior, de onde ela pode ouvir os sons de vozes crescer e diminuir em uma
cacofonia aleatória. Muitos passos após a interseção, ela pára e se
mistura facilmente às sombras, descansando contra uma parede fria. CORTA
PARA: CENA EXT. DESERTO. NOITE. Gabrielle e Yavin estão cavalgando pela noite do deserto, tendo
facilmente evitado os guardas do exército oposto. Yavin está um pouco
mais à frente, rebocando dois cavalos carregados, e Gabrielle vem logo ao
fundo, confortavelmente montada em Argo. Enquanto ela cavalga, ela inclina sua cabeça para trás e olha
para o vasto céu noturno, olhando fixamente para a imensa profusão de
estrelas que descansam em uma escuridão de veludo. Argo escorrega e
Gabrielle bate de leve em seu pescoço, confortada pelo som familiar. Enquanto ela continua a olhar o céu, ela se lembra da primeira vez que ela passou a noite olhando as estrelas com Xena.
XENA (apontando
para as estrelas) Aquele
bando ali em cima se
parece com uma grande caneca. GABRIELLE Uma
caneca? XENA Sim,
você sabe, como uma daquelas xícaras que
você mergulha para tirar água de um balde? GABRIELLE Parece
uma ursa pra mim. XENA Uma
ursa? GABRIELLE Sim. XENA Onde
você vê uma ursa? GABRIELLE Olha
lá o corpo, olha, vê as orelhinhas... Voltando ao presente, Gabrielle estremece e esconde um sorriso
quando se lembra dela atingindo Xena no nariz com o cajado. Uma pequena
– se não triste – risada escapa, o que faz Yavin se voltar para ela. GABRIELLE (desviando
do olhar preocupado de Yavin) Apenas
me lembrando. YAVIN Lembranças
felizes, ao que parece. GABRIELLE Sim,
muito felizes. YAVIN Você
tem um sorriso muito lindo. GABRIELLE (olha
para o nada, desconfortável) Eu... (pausa) Obrigada. YAVIN (sorrindo) Não
há de quê. A
água deve estar bem ali à frente. CORTA
PARA: CENA INT. TÚNEIS EGÍPCIOS. NOITE. AMUN,
o conselheiro da Rainha, passa pela interseção onde Xena está
escondida. Saindo das sombras, ela o agarra por trás da camisa e o puxa
para a entrada do túnel sem ninguém mais saber. Seu braço desliza
facilmente pelo pescoço dele e sua mão o aperta firmemente na boca. Dobrando levemente a cabeça dele, ela sussurra no ouvido do
conselheiro. XENA Esta
não vai ser uma longa conversa, então
você simplesmente mexa a cabeça indicando
sim ou não, entendeu? AMUN (concordando) XENA Que
bom. Você parece ser um cara com alguns
contatos, estou certa? AMUN (confirmando) XENA Foi
o que eu achei. Você faz o tipo. (pausa) Agora,
eu quero que você me diga onde
a guerreira loirinha, Gabrielle,
se deita à noite. Amun tenta se soltar das mãos dela, mas Xena o segura
facilmente, aumentando a pressão em volta de sua garganta até que ele se
aquiete novamente. XENA (continua) Tente
fazer isso de novo e você verá o mundo de
um ângulo completamente diferente. (pausa) Agora,
você sabe onde ela dorme? Sim
ou não? Amun hesita, mas quando a pressão aumenta novamente, ele
finalmente assente. XENA Que
bom. Agora, eu estou propensa a apostar que você
conhece o caminho desses túneis muito bem. Então
eis o que você vai fazer por mim. Ouça
bem, porque eu não gosto de ter
que me repetir. (pausa,
para se certificar de que ele está ouvindo) Você
e eu vamos dar uma voltinha até o
quarto de Gabrielle. E nós vamos chegar lá através
de túneis que ninguém usa. Eu
não quero nenhum convidado inesperado interrompendo
nossa pequena festa, entendeu? AMUN (confirmando) XENA Eu
sabia que podia contar com você. Vamos lá.
CORTA
PARA: CENA EXT. CANAL. NOITE. Gabrielle e Yavin estão terminando a tarefa de tirar água do
canal. Gabrielle parece distraída, com uma expressão pensativa em seu
rosto. Finalmente, ela pára com seu serviço e olha fixamente em direção
à cidade. YAVIN Este
é o último odre. Este canal não mais será
útil para nós daqui a um tempo. A seca
fez os níveis de água caírem muito. Enquanto ele amarra os odres na carga dos cavalos, ele observa
Gabrielle e percebe que ela não ouviu sequer uma palavra do que ele
disse. YAVIN (continua) Há
algo te incomodando, Gabrielle? Você
está agindo estranhamente desde antes
de sairmos da cidade. GABRIELLE (honestamente) Não
sei, Yavin. Eu continuo sentindo algo
estranho. Eu não sei o que é, ou
o porquê de eu estar tendo isso. (pausa) Eu
acho que talvez eu simplesmente tenha percebido que
não foi uma idéia muito esperta fazer os dois principais
líderes militares viajarem numa missão de
resgatar água enquanto a cidade está sitiada. YAVIN Você
acha que alguém além de nós conseguiria ter
saído da cidade sem ser percebido? GABRIELLE (considerando) Você
pode ter razão. Mas ainda assim... YAVIN Bem,
nós já terminamos, então a melhor coisa a fazer é
voltarmos para lá o mais rápido possível, certo? GABRIELLE Você
está certo. Vamos. CORTA
PARA: CENA EXT. CAPITAL. NOITE. Yavin e Gabrielle retornam, felizmente trazendo seus cavalos e água
fresca. Gabrielle se estica e toma um grande fôlego de limpeza. GABRIELLE Isso foi... (pausa) cansativo. YAVIN GABRIELLE YAVIN GABRIELLE Gabrielle
se virou sobre seus calcanhares e começou a ir embora, quando um guarda a
parou. Yavin viu isso e sabia que não podia ser boa coisa, então ele
correu para se juntar a ela. GUARDA que
uma das armadilhas do segundo túnel de
fora da cidade foi ativada. GABRIELLE GUARDA GABRIELLE GUARDA GABRIELLE CORTA
PARA: CENA
INT. TÚNEIS SUBTERRÂNEOS - NOITE Gabrielle
examina a armadilha ativada, dando especial atenção às flechas
quebradas e despreocupadamente descartadas. Ela olha para onde Yavin está
parado de pé. GABRIELLE YAVIN Gabrielle
entrega as peças das flechas quebradas para Yavin. GABRIELLE YAVIN Gabrielle
descarta as flechas e esfrega seu rosto. GABRIELLE Os
dois ouvem um tumulto atrás deles, e quando eles se viram, Zenobia anda
até eles com passos largos, claramente descontente. ZENOBIA GABRIELLE e
eu não acho que tenha sido, quem quer ou
o que quer que tenha feito isso já está longe. ZENOBIA se
vocês dois estivessem onde vocês deveriam estar em
vez de sair desta cidade para resolver alguma
questão inútil. GABRIELLE YAVIN ZENOBIA percebem
o que poderia ter acontecido se vocês tivessem
sido capturados pelo inimigo? (pausa) Líderes
simplesmente não sacrificam a si mesmos sem
necessidade, Gabrielle. GABRIELLE acontece
quer queiramos ou não. ZENOBIA acontecido
se vocês tivessem sido atacados e
mortos lá fora? GABRIELLE minha
alma, e finalmente poderia dormir um pouco.
Gabrielle
sai caminhando com gravidade e arrogância, deixando Yavin e Zenobia
olhando fixamente para ela, com um olhar chocado em suas faces. CORTA
PARA: CENA
INT. QUARTO DE GABRIELLE - NOITE Disposta
a diminuir sua raiva, Gabrielle escala sua cama coberta de palha e rola
por ela, ficando de frente para a parede. Seus pensamentos, emoções e
corpo estão todos por um fio. GABRIELLE Com
essa doce súplica, ela fecha seus olhos e força seus músculos tenso a
relaxarem, e cai em um sono agitado sem sequer perceber que dormiu. Um
momento depois, uma larga sombra se projeta sobre Gabrielle, cobrindo seu
corpo com uma manta escura na tremulante luz da tocha. Penetrantes olhos
azuis, quase da cor de índigo, no quarto sombrio, olham fixamente de fora
da escuridão. Esperando. FADE
OUT. |
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